Existem três principais dispensações no modo de Deus agir (Veja “Concise Bible Dictionary” -- pag. 216-217). Alguns podem enxergar mais de três dispensações, mas todos concordam que as três que iremos considerar são as principais, e são aquelas sobre as quais recai a controvérsia a respeito do ensino dispensacional. Portanto é de vital importância entender as diferentes maneiras de Deus agir em conexão com elas.
A DISPENSAÇÃO DA LEI
A primeira destas três dispensações é a Dispensação da Lei. A casa de Deus na terra não foi realmente estabelecida até que Ele tivesse criado um relacionamento com Israel sobre o terreno da redenção, dando àquele povo a Lei e o culto a Deus no tabernáculo -- Êxodo 10:40. Antes disso os homens caminhavam com Deus como indivíduos, mas não existia um sistema publicamente organizado por Deus para tratar com os homens no que diz respeito à Sua casa. Portanto, dificilmente poderíamos afirmar que existissem dispensações antes disso (veja Concise Bible Dictionary).
A Dispensação da Lei foi um modo organizado de Deus tratar com os homens (a nação de Israel) no qual as obrigações legais e exigências da Lei deviam ser cumpridas pelo povo que estava sob ela, a fim de poderem caminhar em comunhão com Deus. Essa administração passou por três fases:
· Aproximadamente 400 anos sob os Juízes (da entrada de Israel na terra de Canaã ao final do tempo dos Juízes -- Atos 13:19-20).
· Aproximadamente 500 anos de reinado (desde Saul ao cativeiro babilônico).
· Aproximadamente 600 anos de testemunho profético durante os Tempos dos Gentios (do cativeiro a João Batista -- Lucas 16:16)
A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO
A segunda grande dispensação é a Dispensação do Mistério. Ela pode também ser chamada de Dispensação da Graça de Deus. Trata-se de uma administração para o governo de um povo celestial, salvo por graça e selado com o Espírito Santo -- a Igreja de Deus. J. N. Darby a chamou de “a presente dispensação” e “dispensação da Igreja” (Collected Writings, vol. 1, p. 289).
O apóstolo Paulo foi comissionado para “demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério”. Portanto a Paulo caberia ensinar as coisas relacionadas ao Mistério “que desde os séculos esteve oculto em Deus”, que compõem a verdade de Cristo e da Igreja (Ef 5:32). O ministério da graça realmente começou com o ministério de nosso Senhor Jesus Cristo (João 1:17; Lucas 4:16-30), mas quando o Seu povo (os judeus) O rejeitaram, Deus deixou aquele povo de lado por um tempo e iniciou a atual Dispensação da Graça com o chamamento celestial da Igreja por meio da vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2:1-4; 1:15). Os crentes hoje estão sendo chamados para fora de entre judeus e gentios para fazerem parte desse novo grupo celestial que Deus está formando -- a Igreja de Deus, corpo e esposa de Cristo (At 15:14; 26:17). A responsabilidade do ministério cristão é a de promover a “dispensação [oikonomia] de Deus” ajudando os crentes a entenderem sua vocação celestial em Cristo, e a conduzirem suas vidas em conformidade com a atual administração de Sua casa (1 Tm 1:4). A Igreja não é uma dispensação, mas é governada por uma dispensação ou normas de conduta de Deus em relação à verdade revelada no Mistério.
A DISPENSAÇÃO DA PLENITUDE DOS TEMPOS
A terceira grande dispensação ainda é futura; trata-se da “dispensação da plenitude dos tempos” (Ef 1:10). Esta será uma designação especial de Deus para com os homens durante o reino público de Cristo no Milênio. O remanescente de Israel restaurado e muitas nações gentias desfrutarão de uma porção terrenal de bênção sob Cristo e a Igreja naquele dia. A administração de toda aquela esfera estará nos céus, encabeçada por Cristo e pela Igreja sobre a terra. Isto está indicado em Efésios 1:10 na expressão “no Cristo”. Quando nos escritos de Paulo o artigo “o” é colocado antes de “Cristo” isto indica a união mística entre Cristo, a Cabeça, e os membros de Seu corpo (1 Co 12:12-13). [N. do T.: A passagem de Efésios 1:10 na versão Almeida traz “em Cristo”, mas o correto seria “no Cristo”, como aparece na versão de J. N. Darby e na tradução literal de J. N. Young] .
O que é notável acerca destas três dispensações (ou administrações) da casa de Deus é que existe uma notável diferença entre a Dispensação do Mistério e as outras duas que vêm antes e depois dela. A Dispensação da Lei e a Dispensação da Plenitude dos Tempos são administrações que têm a ver com povos terrenos, enquanto a Dispensação do Mistério, encaixada entre as outras duas, é uma administração envolvendo uma companhia celestial de pessoas -- a Igreja. Talvez pudéssemos enxergar tudo como um biscoito recheado. As duas dispensações externas (como se fossem as duas partes externas do biscoito) são administrações relacionadas à terra, enquanto a dispensação do meio (o recheio no exemplo do biscoito) pertence ao povo celestial. Quanto mais estudamos estas dispensações, mais vemos quão diferentes elas são.
Como já foi mencionado, a Dispensação do Mistério é uma vocação celestial intercalada que tem a ver com a Igreja. No momento atual as tratativas de Deus com a nação de Israel estão suspensas e, por meio do evangelho da Sua graça, Deus está chamando os crentes para fora, para fazerem parte da Igreja. Depois Deus voltará a tratar com Israel e introduzirá na bênção um remanescente de todas as doze tribos, juntamente com as nações gentias que serão abençoadas sob Israel no reino milenial de Cristo. Portanto, tem ocorrido uma mudança no modo dispensacional de Deus agir, da Lei para a Graça ministrada agora no Mistério, e haverá outra mudança, depois da administração do Mistério, para o Reino manifestado.
Disto aprendemos que Deus não tem apenas o propósito de ter um povo abençoado com Cristo na terra naquele dia vindouro da glória do reino, mas que também deseja ter um povo abençoado no céu.

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