As epístolas do Novo Testamento guardam silêncio sobre este assunto de línguas, com exceção das instruções que se encontram em 1 Cor. 12, 13 e 14. Examinemos estas passagens brevemente.
1 Cor. 12:1-13, 27-31 diz: “... falam todos diversas línguas?” (vs. 30). Na primeira parte deste capítulo o dom de línguas é apresentado como uma das manifestações do Espírito. Ele deu vários dons aos diferentes membros do Corpo de Cristo, o que serviu para o cuidado e a edificação mútua entre os santos. A pergunta que se apresentou anteriormente indica às claras que nem todos falavam línguas, assim como nem todos ensinavam, nem todos eram apóstolos.
1 Cor. 13:8 diz “... havendo línguas, cessarão”. Muitos estudantes da Bíblia creem que isto aconteceu, isto é, que as línguas bíblicas terminaram. Os que se opõem a este ponto de vista sustêm que o mesmo versículo fala da falta de profecias e de conhecimento, e que ninguém sugere que isto tenha sido um feito.
Se lermos com cuidado o contexto (v. 9 e 10), veremos que há um conhecimento parcial e uma profecia parcial que permanecerão até a vinda de Cristo. Isto não se diz das línguas, chegando à conclusão de que o dom de línguas, o de conhecimento e o de profecia foram substituídos por uma continuidade parcial dos dois últimos.
1 Cor.14 diz: “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis” (v. 5). Os coríntios eram zelosos dos dons espirituais. Evidentemente davam mais valor aos que proporcionavam experiências espirituais espetaculares que aqueles que contribuíam para um crescimento sólido. Mesmo que não tenha proibido falar em línguas (até diz a outros que não proíbam), Paulo faz ver que é um dom inferior aos outros para a edificação da Igreja e especialmente inferior ao de profecia.
Devemos notar que o dom de profecia, assim como se expõe ou se explica aqui não é a habilidade para predizer o que acontecerá no futuro. Em vez, é a faculdade de revelar a mente de Deus para o crescimento espiritual dos crentes. “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (v.3).
As línguas não levam a cabo esta função útil na assembléia de Deus, a não ser que haja um intérprete. Paulo assinala com grandes detalhes a limitação das línguas e ordena que não se usem em público nas congregações, a não ser que haja um intérprete (v.28).
Então, o que ensina este capítulo quanto ao uso correto das línguas? Sob que circunstâncias e com que propósito falou Paulo em línguas “mais que vós todos?” (v.18). Primeiro faz ver que ao falar em línguas, se fala a Deus e não aos homens; e que em Espírito se fala mistérios (v.2). Em segundo lugar assinala que aquele que fala em línguas se edifica a si mesmo em vez de a Igreja (v.4). Em terceiro lugar, ele mostra que as línguas são um sinal não para os que creem, senão, para os incrédulos (v.22).
Recordemos o que aconteceu no dia de Pentecostes e vejamos o que diz e o que não diz a passagem. Sim, diz que falaram em outras línguas segundo o Espírito lhes dava que falassem; que uma multidão se congregou e lhes ouviu falando idiomas que se podiam distinguir como tais. Não diz que o propósito principal de falar em línguas fora para benefício das multidões; apesar de que Deus usou este milagre como um sinal para eles e, evidentemente, se beneficiaram com ele.
Os demais exemplos de línguas no livro de Atos confirmam o mesmo: os que falaram em línguas depois de receber o Espírito Santo, falaram a Deus; e este era um sinal para as pessoas que os escutavam. Em nenhuma parte do Novo Testamento lemos que alguém pregasse em línguas, nem se nos diz que o façamos.
Se aceitarmos o uso que Paulo dá a palavra “edificação” através do capítulo 14, não podemos aceitar a ideia de que a edificação própria por meio das línguas se recebe à parte de um entendimento consciente e da comunhão com Deus. Alguém não pode pensar ou falar palavras que não significam absolutamente nada para outro e dizer que isso o edifica. Mesmo quando Paulo fala de orar com o espírito, está falando em relação à Assembleia, para que os que escutam possam dizer “amém” no fim da oração. Não está dito que o que ora não entende o que diz, quando ora em outra língua. Notemos que Paulo escreve: “...o meu espírito ora” (1 Cor. 14:14).
Em 1 Cor. 2:11 vemos que o homem sabe, entende e percebe por meio de seu espírito. Se Paulo orou em espírito, podemos estar seguros que ele sabia o que estava dizendo quando orava; no entanto, se outros não entenderam, seu entendimento não teria dado fruto em relação a eles. Eles não poderiam ter dito amém, nem poderiam haver sido edificados (1 Cor. 14:16-17) .
A Palavra de Deus não nos diz diretamente quando e sob que circunstâncias Paulo mesmo falou em línguas. Não seria sábio nos colocar a especular ou adivinhar. Porém, podemos estar seguros de que o uso desta manifestação espiritual estaria de acordo com a direção e ensino do Espírito Santo.
G. STEIDL E W. MISSEN
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