domingo, 22 de janeiro de 2017

AS SOMBRAS DO TEMPLO


Durante décadas, os críticos as têm chamado de “escândalo”, “praga”, “partidarismo” e “sistema de castas”, mas as denominações permanecem a marca institucional do cristianismo moderno. [...] qualquer cristão que leia o Novo Testamento, sente a diferença entre a fé professada pelos apóstolos e pelo cristianismo de nossos dias. O apóstolo Paulo, por exemplo, fala da igreja como o templo de Deus, unificada na devoção ao Senhor Jesus Cristo, mas o que vemos hoje em dia é uma coleção de cultos, seitas, denominações e ismos. [...] O fato é que os cristãos encontram-se divididos, pelo menos, porque têm liberdade de divergir. No início, não a tinham. Nós nos chocamos com esse fruto do cristianismo moderno, mas poucos desejam lançar o machado em suas raízes. (SHELLEY, 2004, p. 335). (ênfase adicionada).
Assim como foi na Igreja Católica, a função denominacional foi bem-sucedida e se expandiu pelo mundo. Entretanto, o comportamento infelizmente trouxe confusão ao corpo de Cristo, 1 Co 1.11. Os resultados na historia provam subdivisões constantes de grupos por terem recebido uma nova revelação teológica. Portanto, é importante observar que o foco da igreja é a pregação do evangelho, 1 Co 1.22-24. Em geral, a fé não consiste na ignorância e muito menos na experiência humana, mas no conhecimento, 2 Co 8.7; Ef 4.13; Fl 1.9; Cl 1.9-10; 2 Pe 1.5-8.
Segundo a teoria do professor Horrel (2006, p. 79), “um estudo do Novo Testamento, no entanto, sugere que muitas das formas e estruturas das Igrejas locais de hoje, na verdade, impedem a verdadeira obra de Deus no mundo”. A origem dos movimentos denominacionais pode até ser recente, mas o comportamento parece que não. Durante toda a história do cristianismo católico ou universal, podemos “comparar” algumas atitudes com os ideais do passado. A ênfase que é dada na instituição (Templo), pelos cargos eclesiásticos pastorais (sacerdotes e levitas), pelos sacrifícios (dízimos), pelos cultos (sabá) e na busca por uma identidade sob um sentimento tradicional nacionalista (judaísmo e Israel).
Como consequência, o templo, o sacerdócio e o sacrifício do Judaísmo cessaram com a vinda de Jesus Cristo. Cristo é o cumprimento e a realidade de tudo isso. No paganismo grecoromano, estes três elementos também estavam presentes: Os pagãos tiveram seus templos, seus sacerdotes e seus sacrifícios. Foram apenas os cristãos que descartaram todos estes elementos. Poder-se-ia dizer que o cristianismo foi a primeira religião sem templos. Na mente do cristão primitivo, era a pessoa que constituía o espaço sagrado, não a arquitetura. Os primeiros cristãos entendiam que eles mesmos — coletivamente — eram o templo de Deus e a casa de Deus. (VIOLA, 2005, p. 107). (ênfase adicionada).
Observemos que a verdadeira Igreja deixada por Cristo nunca precisou herdar o nome de algum movimento ou de placa, de púlpitos ou pias batismais, de fardas ou posições sociais, de órgãos públicos ou atos políticos, de tradições ou liturgias, de dinheiro ou poder, de governos ou terrenos para manifestar sua fé. Infelizmente, nem a Reforma ou muito menos os movimentos subsequentes tiveram sucesso em restaurar a ekklesia – uma identidade que ainda continua distante dos padrões bíblicos.
Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. (Colossenses 4.15) BEP-ARC As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa. (1 Coríntios 16.19) BEP-ARC (ênfase adicionada).
Alguém poderia perguntar – a forma institucional não é eficiente? O conceito é relevante desde que, a igreja não sofra uma interferência por costumes tradicionais e a gestão favoreça o desenvolvimento pelos mesmos interesses que culminaram no Novo Testamento. A ênfase da igreja não deve estar no nome do ministério ou nas paredes de tijolos da casa – afinal, tudo isso é passageiro – mas a uniformidade deve ser homogênea por transformações intelectuais provocadas pela mensagem da cruz de Cristo que é loucura para os que perecem. Mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus, 1 Co 1.18.
Por natureza, o homem geralmente justifica os meios para “sacralizar” os fins. Um prédio, uma casa ou uma fundação até pode ser discutido como um objeto de apoio secundário em benefício do evangelho, mas nunca deveria ser rotulado como um objeto sagrado ou até mesmo carregar a identidade ou a referência daquilo que aponta para o homem.
Assim como Cristo não deve ser confundido com o Buda, a igreja não deve ser confundida com um prédio – mas com um grupo de cristãos fiéis. E como disse o apóstolo Paulo: “Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja”. (Efésios 5.32) BEP-ARC.
Mas infelizmente, muitos pastores não ensinam as ovelhas a dependerem de Deus e raramente as desafiam a caminhar com Ele. Porém, por alguma razão, elas se tornam cada vez mais dependente do pastor (homem) e do Templo (prédio da igreja). É incrível como o modelo atual é passivo e sofra contrastes com o Novo Testamento. Observemos o exemplo de Cristo, com apenas três anos de ministério, preparou muitos homens que transformaram nações. Contudo, jamais vimos Paulo ou um dos apóstolos estabelecerem uma cadeira e ficarem sentados num só lugar por décadas para que o “Reino” venha até eles, Mc 16.15. Definitivamente, a questão é desafiadora, por esta posição – da cadeira e do templo – enaltecer o “orgulho” do homem.
Por isso, vos conjuro a que sejais meus imitadores. Para isso é que vos enviei Timóteo, meu filho muito amado e fiel no Senhor. Ele vos recordará as minhas normas de conduta, tais como as ENSINO POR TODA PARTE, em TODAS as IGREJAS. Alguns, presumindo que eu não mais iria ter convosco, encheram-se de orgulho. Mas brevemente irei ter convosco, se Deus quiser, e tomarei conhecimento não do que esses orgulhosos falam, mas do que são capazes. Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos. Que preferis? Que eu vá visitar-vos com a vara, ou com caridade e espírito de mansidão? (1 Coríntios 4.16-21). BDJ-EP (ênfase adicionada).
E lhes ordenou: “Enquanto estiverdes INDO pelo mundo inteiro proclamai o Evangelho a toda criatura”. (Marcos 16.15) KJA. (ênfase adicionada).
O fato é que os cristãos encontram-se numa zona de total conforto, pelo menos porque têm liberdade de modificar ou criar uma nova conduta do “evangelho” a seu próprio gosto rotulando como “igreja” – mas no início, não a tinham. Nós nos chocamos com a proposta do cristianismo moderno denominacional, mas são poucos que ainda desejam o padrão ofertado pelas Sagradas Escrituras.

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