quinta-feira, 16 de março de 2017

A VERDADE DISPENSACIONAL


O que é Dispensacionalismo?
A palavra “dispensação” (“oikonomia” em grego) significa “administração de uma casa”, “gestão de uma família”, “regras da casa” ou “economia”. No sentido em que é usada nas Escrituras trata-se do modo de Deus tratar com os homens na administração de Seus desígnios em Sua casa. Portanto, a palavra dispensação significa uma maneira específica que Deus usa para ordenar ou governar Sua casa. Esta definição pode variar às vezes por diversas razões. Por exemplo, no Antigo Testamento, quando Israel estava sob a Lei, Deus ordenou Sua casa de uma maneira diferente da que ele hoje ordena Sua casa no Dia da Graça. Portanto, tem ocorrido uma mudança de dispensações na gestão da casa de Deus.
O ensino bíblico que observa e reconhece uma diferença entre Israel, Igreja e os santos do reino milenial -- cada um com sua vocação, bênçãos e destinos específicos -- é o que chamamos de Dispensacionalismo.
A necessidade de se manejar corretamente a Palavra da Verdade
As Escrituras dizem: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). Este versículo indica que a Palavra de Deus possui divisões, e se quisermos ser aprovados diante de Deus precisamos saber distingui-las em nossos estudos das Escrituras. A tendência da maioria dos cristãos é enxergar a Palavra de Deus como uma massa indistinta de versículos bíblicos que teriam sido todos escritos especificamente para nós. Todavia, existem coisas que foram escritas para Israel e pertencem àquele povo, e há também coisas que foram escritas para a Igreja e dizem respeito especificamente a ela. As Escrituras fazem distinção entre estes dois grupos de pessoas abençoadas como sendo entidades distintas das nações gentias. Ela diz: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus” (1 Co 10:32). Manejar ou repartir bem a Palavra da Verdade é estudar a Bíblia, observar, e entender as distinções que Deus fez entre estes diferentes grupos. Israel, Igreja e Gentios têm vocações, bênçãos e destinos completamente diferentes no plano de Deus para a bênção dos homens. Cada grupo foi chamado com o propósito de manifestar as glórias e excelências de Cristo em diferentes esferas de Seu reino vindouro, não apenas na terra, mas também nos céus:
*ISRAEL -- “A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão” (Is 43:21; 60:1-22; Sl 79:13).
*GENTIOS -- “E os gentios... publicarão os louvores do Senhor” (Is 60:3-6).
*IGREJA -- “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9; Ap 21:10-11).
O fato de 2 Timóteo 2:15 dizer “...que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” indica que as Escrituras podem ser mal manejadas ou repartidas e aplicadas. Este tem sido o caso do método pactualista de interpretação bíblica que examinaremos no final deste livro. Portanto, é preciso ter cuidado no manuseio das Escrituras e prestar atenção às distinções entre o que é interpretação e o que é aplicação.
Como cristãos, somos culpados de cristianizar as Escrituras que não foram dirigidas a nós e imaginar que elas tenham sido. Pegamos passagens que foram claramente escritas para Israel e imaginamos que estejam se referindo à Igreja. Um exemplo disto seriam os subtítulos de nossas Bíblias que aparecem no topo das páginas, no início de capítulos ou de porções, dependendo da versão, particularmente nos livros dos Salmos e do profeta Isaías. Foram adicionadas afirmações que não fazem parte do texto original das Escrituras para indicar ao leitor, de forma errada, que aquelas passagens foram escritas para a Igreja, quando fica claro que o assunto está relacionado a Israel. Não estamos dizendo que os cristãos não deveriam buscar por lições morais e práticas nas passagens do Antigo Testamento -- 1 Coríntios 10:11 e 2 Timóteo 3:16 indicam que devemos fazê-lo. Mas isto não significa que as passagens do Antigo Testamento tenham sido escritas para os cristãos, pelo menos quando o assunto é a interpretação. Romanos 15:4 diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”. Aquelas coisas no Antigo Testamento foram escritas “para” nós, mesmo que não tenham sido dirigidas “a” nós. Isto é algo que deve ser observado e compreendido por todo estudante da Bíblia.
Bruce Anstey

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