Há duas verdades relacionadas ao novo homem que devem ser distinguidas: Primeiramente, o fato de que o crente tem vida eterna em Cristo, o dom de Deus; em segundo lugar, o efeito moral desta verdade sobre sua existência no mundo.
Assim que, primeiramente: “Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho” (1 Jo.5.11); e então, a seguir, diz Paulo: “Para mim o viver é Cristo” (Fp.1.21). Ele não viveu para si mesmo aqui, mas para outro, a saber, para Cristo, que foi ressuscitado dentre os mortos. Da mesma maneira, João diz: “Aquele que diz que está nEle também deve andar como ele andou” (1 Jo.2.6).
Finalmente por isso, o cristão – o indivíduo - é responsável e tem poder para reconhecer-se morto de fato para o pecado e vivo para Deus. Como ele morreu em Adão, assim em Cristo, ele foi vivificado. Ainda é ele mesmo que, pela fé, está morto e é ele mesmo que, pela graça, está vivo para Deus. Nada é mais danoso do que atribuir ao velho homem todo o mal encontrado no interior do cristão, como se o próprio crente não fosse responsável em manter a santidade dentro ou fora de si. A responsabilidade moral é então reduzida e há o perigo de se aceitar com mais ou menos complacência, como um mal inevitável, as obras e os frutos do pecado nos membros, ao invés de julgá-los e mortificá-los no poder do Espírito de Deus.
Estritamente falando, o velho homem não tem existência presente. Este é um termo, como temos dito antes, para expressar o estado passado de responsabilidade julgado na morte de Cristo. É o crente - “Eu” – que ainda vive, e o crente em Cristo, não meramente seu “velho homem”, que pode pecar, ainda que não deva fazê-lo. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo.1.8). “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (1 Jo.2.1). A graça de Cristo e o poder do Espírito Santo, se levados em conta, são suficientes para o crente. “O pecado não terá domínio sobre” ele (Rm.6.14) e não deve deixá-lo reinar em seu corpo mortal. Todavia, se ele encontra pecado ali, não deve alegar que é seu “velho homem”, mas deve confessar honestamente que é ele mesmo; e, “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo.1.9).
Assim, como já dissemos antes, ele pode, como um recurso contra esse desejo de pecar, voltar-se, por fé, para o bendito fato de que “o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Rm.6.6).
A resposta então para a pergunta original é: aquele “Eu” permanece. Eu, que uma vez identificado com Adão, estava debaixo do pecado e sob julgamento, estou agora identificado com Cristo, e, pela Sua morte e ressurreição, libertado do estado e responsabilidade passados, trazido para um novo estado ao qual não pertencem nem o pecado, nem a morte, nem o julgamento. Caminhando nesse mundo devo agir segundo uma ou outra relação, ou como um filho de Adão, ou como um homem em Cristo e filho de Deus; por fé, é do meu domínio e privilégio, através da morte e ressurreição, desassociar-me do primeiro homem - Adão - e associar-me com Cristo - o último Adão - “o Segundo Homem, o Senhor do Céu” (1 Co.15.47).
Conseqüentemente, “Eu” - o indivíduo - o crente em Cristo, redimido, justificado, avivado e esperando pela glória de Cristo, sou deixado aqui sobre a terra segundo o propósito de Deus, um ser responsável, por um pouco de tempo, para proclamar os louvores d’Aquele que me chamou das trevas para Sua maravilhosa luz (1 Pd.2.9); para viver no mundo toda a verdade revelada pelo Espírito na Palavra e provar sua suficiência, não somente para a glória vindoura, mas para a vitória neste (e sobre este) “presente século mau” (Gl.1.4).
H.C.G.B.
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